quinta-feira, janeiro 29, 2009
terça-feira, janeiro 27, 2009
quinta-feira, janeiro 22, 2009
segunda-feira, janeiro 12, 2009
errata vitae
erros
...
frescos mortais
em lojas de terra
vendidos em centros comerciais
erros
...
temperamentais
nas frases da mente
redondos e irracionais
erros
...
digitais
nas palmas das mãos
esbatidos em em cidades sem sinais
erros
...
tão brutais
envaidados em frascos
com cercos marginais
erros
...
com sinais
fechados
abertos em vómitos congeminais
erros
...
pessoais
em nomes colectivos
mas sempre pessoais
ainda vou a tempo da errata e inerrar?
...
frescos mortais
em lojas de terra
vendidos em centros comerciais
erros
...
temperamentais
nas frases da mente
redondos e irracionais
erros
...
digitais
nas palmas das mãos
esbatidos em em cidades sem sinais
erros
...
tão brutais
envaidados em frascos
com cercos marginais
erros
...
com sinais
fechados
abertos em vómitos congeminais
erros
...
pessoais
em nomes colectivos
mas sempre pessoais
ainda vou a tempo da errata e inerrar?
quinta-feira, janeiro 08, 2009
Palestina
domingo, janeiro 04, 2009
Gaza Holocaust

FIM AO MASSACRE DE GAZA!
POR UM ANO NOVO SEM CRIMES DE GUERRA ISRAELITAS!
No momento em que festejamos a passagem de ano com fogos de artifício na cidade de Lisboa, o povo de Gaza vive sob o fogo real da artilharia e da aviação israelita.
Nos primeiros dez minutos da ofensiva morreram mais de 200 pessoas e ficaram feridas ou estropiadas mais de 600. Alegadamente, tudo isto era resposta "proporcional" aos morteiros artesanais palestinianos, que em 7 anos mataram 20 israelitas. Na verdade, o bombardeamento israelita é um novo passo na destruição do povo palestiniano: neste momento 500 mortos e mais de 2500 feridos e prosseguem os ataques a uma população que não tem para onde fugir nem como se defender, já que a Faixa de Gaza tem vivido sob um bloqueio que priva os seus habitantes de água potável, de energia, de alimentos, de medicamentos.
O cessar-fogo que os EUA, a UE e a ONU exigem aos palestinianos seria, nessas condições, a morte lenta para um povo cercado. Se alguém aqui está a defender-se, são os palestinianos de Gaza, que elegeram democraticamente o seu governo e a quem o Estado de Israel tem invadido, ocupado e roubado as terras, as propriedades e as casas.
Não vamos calar-nos diante dos crimes de guerra e do abuso de força. Apelamos à participação de todos e todas nas acções que estão a ser preparadas por várias organizações em Lisboa:
5 de Janeiro a partir das 18h
no Largo de S. Domingos, junto ao memorial às vítimas da intolerância
*
8 de Janeiro a partir das 18h
em frente do check-point que a embaixada israelita instalou na colonizada Rua António Enes, nº 16, a S. Sebastião
Esta última iniciativa é apoiada por:
Associação Abril - Bloco de Esquerda - CGTP - Colectivo Abu-Jamal - Colectivo Revista Rubra - Comité de Solidariedade com a Palestina - CPPC - Fórum pela Paz - MDM - Monthly Review - MPPM - Plataforma Guetto - Política Operária - Shift - SOS Racismo - SPGL - Tribunal do Iraque
segunda-feira, dezembro 22, 2008
As Festas Querem-se Felizes III
Nesta época deixo a todos e todas...
um abraço de festas cheias de doces cheios de açucar e caramelo e leite condensado e óleo e fritos e molhos cheios de gordura animal e vegetal e animais mortos no centro da mesa enfeitados e recheados com mais molhos e tostados e ligeiramente queimados, outros com vinho.... aahhhhhh muito vinho e animais bêbados no centro da mesa e nas suas periferias e mais vinho e cerveja... muita cerveja... no final... temos no mesmo centro da mesa prendas de plástico de petróleo de animais mortos de peles esticadas com embrulhos de árvores derrrubadas, e abrimos e fechamos e cantamos felizes gordos e bêbados canções de natal e de esperança por um mundo melhor.
(este momento foi patrocinado por compensan, guronzan e por livros sagrados)
br1
um abraço de festas cheias de doces cheios de açucar e caramelo e leite condensado e óleo e fritos e molhos cheios de gordura animal e vegetal e animais mortos no centro da mesa enfeitados e recheados com mais molhos e tostados e ligeiramente queimados, outros com vinho.... aahhhhhh muito vinho e animais bêbados no centro da mesa e nas suas periferias e mais vinho e cerveja... muita cerveja... no final... temos no mesmo centro da mesa prendas de plástico de petróleo de animais mortos de peles esticadas com embrulhos de árvores derrrubadas, e abrimos e fechamos e cantamos felizes gordos e bêbados canções de natal e de esperança por um mundo melhor.
(este momento foi patrocinado por compensan, guronzan e por livros sagrados)
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quinta-feira, dezembro 04, 2008
Wishah - Grupo de Canto e Danças Folclóricas da Palestina
Com a nossa dor... e dançamos
Ó terra
Ó seres humanos que sonham com uma grande alegria que vem com a dança de uma borboleta sobre as pétalas de uma flor
Apesar de ti ó dor
apesar de ti o ferida
ainda fica no espaço uma oportunidade para uma dança
uma canção e um sorriso
no fim de fumo e da poeira permanecem um parte azul do céu que lança a esperança
Não dançamos a dança da vitima com ou em frente do seu carrasco
não pedimos a alegria de ninguém
mas sim somos nós quem a construirmos por isso chamamos o nosso espectáculo dança
não para dançarmos sobre uma ferida mas para abrir a porta da vida as nossas alegrias vindouras
Dançamos para que o carrasco fique furioso e diga:
apesar de tudo, essa morte que lancei no terreno e ravinas
...e eles ainda dançam?
terça-feira, novembro 25, 2008
Fala do Velho do Restelo ao Astronauta
Aqui na terra a fome continua
A miséria e o luto
A miséria e o luto e outra vez a fome
Acendemos cigarros em fogos de napalm
E dizemos amor sem saber o que seja.
Mas fizemos de ti a prova da riqueza.
Ou talvez da pobreza, e da fome outra vez.
E pusemos em ti nem eu sei que desejos
De mais alto que nós, de melhor e mais puro.
No jornal soletramos de olhos tensos
Maravilhas do espaço e de vertigem.
Salgados oceanos que circundam
Ilhas mortas de sede onde não chove.
Mas a terra, astronauta, é boa mesa
(E as bombas de napalm são brinquedos)
Onde come brincando só a fome
Só a fome, astronauta, só a fome.
A miséria e o luto
A miséria e o luto e outra vez a fome
Acendemos cigarros em fogos de napalm
E dizemos amor sem saber o que seja.
Mas fizemos de ti a prova da riqueza.
Ou talvez da pobreza, e da fome outra vez.
E pusemos em ti nem eu sei que desejos
De mais alto que nós, de melhor e mais puro.
No jornal soletramos de olhos tensos
Maravilhas do espaço e de vertigem.
Salgados oceanos que circundam
Ilhas mortas de sede onde não chove.
Mas a terra, astronauta, é boa mesa
(E as bombas de napalm são brinquedos)
Onde come brincando só a fome
Só a fome, astronauta, só a fome.
José Saramago
segunda-feira, novembro 10, 2008
quarta-feira, novembro 05, 2008
segunda-feira, outubro 27, 2008
O mau Sal
"Se existem 700 mil milhões de dólares para salvar Wall Street da bancarrota, mas não existem 25 mil milhões para salvar 25 mil crianças de morte certa todos os dias, então eu chamo a isso bancarrota moral."
Bono
Bono
sábado, outubro 18, 2008
sexta-feira, outubro 10, 2008
sexta-feira, setembro 12, 2008
Terra que me corre em veias
mudei desde que fui
mudei muitas das cores que ainda vejo depois de ter revisto outras
mudei de muitas maneiras
mudei porque encontrei raízes
por ter pegado na terra do chão
por ter desfeito os torrões em pó de terra
por tudo isso mudei
quando penso, mais saio e vejo, sinto o teu beijo
a terra, o cheiro, o toque no seixo encerra e
me faz ressaltar nas águas calmas.
Ando em repiques até que a terra me pare. descansar.
preciso de descansar.
br1
mudei muitas das cores que ainda vejo depois de ter revisto outras
mudei de muitas maneiras
mudei porque encontrei raízes
por ter pegado na terra do chão
por ter desfeito os torrões em pó de terra
por tudo isso mudei
quando penso, mais saio e vejo, sinto o teu beijo
a terra, o cheiro, o toque no seixo encerra e
me faz ressaltar nas águas calmas.
Ando em repiques até que a terra me pare. descansar.
preciso de descansar.
br1
terça-feira, setembro 02, 2008
A Hen-Riq
Na profundidade do ciclo das coisas
o mundo renova-se em mortes vitais na renovação do calor
o mundo mata matando-nos nas ilusões do caminho e da dor.
A cadência de um corpo que finda em passos curtos
o falhar das regras infectadas pelos teus gritos surdos
o tempo fica fotografando em câmara lenta,
fragmentado como as memórias que nos deixa.
descansa, descontrai...
deixa-te ir na corrente,
não te preocupes que a esfera continua
não toca, mas perdura
e sabes que sempre te recordaremos com os teus palcos de loucura
e
sabes que sempre te reconheceremos na sensibilidade... que foi e é só tua.
Abraço eterno
...
o mundo renova-se em mortes vitais na renovação do calor
o mundo mata matando-nos nas ilusões do caminho e da dor.
A cadência de um corpo que finda em passos curtos
o falhar das regras infectadas pelos teus gritos surdos
o tempo fica fotografando em câmara lenta,
fragmentado como as memórias que nos deixa.
descansa, descontrai...
deixa-te ir na corrente,
não te preocupes que a esfera continua
não toca, mas perdura
e sabes que sempre te recordaremos com os teus palcos de loucura
e
sabes que sempre te reconheceremos na sensibilidade... que foi e é só tua.
Abraço eterno
...
terça-feira, agosto 19, 2008
segunda-feira, agosto 11, 2008
Tributo ao lutador pela Liberdade - Mahmud Darwich
NESTA TERRA
Nesta terra há coisas que merecem viver: a hesitação de Abril, o cheiro do pão ao amanhecer, as opiniões duma mulher acerca dos homens, os escritos de Ésquilo, o despertar do amor, a erva sobre as pedras, as mães erguidas sobre um fio de flauta e o medo que a lembrança inspira aos conquistadores.
Nesta terra há coisas que merecem viver: o fim de Setembro, uma mulher que entra nos quarenta, com todo o seu vigor, a hora do sol na prisão, as nuvens que imitam um bando de criaturas, as aclamações dum povo pelos que caminham, sorridentes, para a morte e o medo que as canções inspiram aos tiranos.
Nesta terra há coisas que merecem viver: nesta terra está a dona da terra, mãe dos prelúdios e dos epílogos. Chamavam-lhe Palestina. Chama-se ainda Palestina. Minha Dama, eu mereço, mereço viver, porque tu és a minha Dama.
TAMBÉM NÓS AMAMOS A VIDA
Também nós amamos a vida quando podemos.
Dançamos entre dois mártires e no meio deles erguemos um minarete de violetas ou uma palmeira.
Também nós amamos a vida quando podemos.
Ao bicho-da-seda roubamos um fio para tecer o nosso céu e estancar este êxodo.
Abrimos a porta do jardim para que o jasmim saia para a rua como um dia bonito.
Também nós amamos a vida quando podemos.
Na morada que escolhemos, cultivamos plantas vivazes e recolhemos os mortos.
Sopramos na flauta a cor da distância,
desenhamos um relincho no pó do caminho.
E escrevemos os nossos nomes, pedra-a-pedra. Tu, ó raio, ilumina a nossa noite, ilumina-a um pouco.
Também nós amamos a vida quando podemos.
Nesta terra há coisas que merecem viver: a hesitação de Abril, o cheiro do pão ao amanhecer, as opiniões duma mulher acerca dos homens, os escritos de Ésquilo, o despertar do amor, a erva sobre as pedras, as mães erguidas sobre um fio de flauta e o medo que a lembrança inspira aos conquistadores.
Nesta terra há coisas que merecem viver: o fim de Setembro, uma mulher que entra nos quarenta, com todo o seu vigor, a hora do sol na prisão, as nuvens que imitam um bando de criaturas, as aclamações dum povo pelos que caminham, sorridentes, para a morte e o medo que as canções inspiram aos tiranos.
Nesta terra há coisas que merecem viver: nesta terra está a dona da terra, mãe dos prelúdios e dos epílogos. Chamavam-lhe Palestina. Chama-se ainda Palestina. Minha Dama, eu mereço, mereço viver, porque tu és a minha Dama.
TAMBÉM NÓS AMAMOS A VIDA
Também nós amamos a vida quando podemos.
Dançamos entre dois mártires e no meio deles erguemos um minarete de violetas ou uma palmeira.
Também nós amamos a vida quando podemos.
Ao bicho-da-seda roubamos um fio para tecer o nosso céu e estancar este êxodo.
Abrimos a porta do jardim para que o jasmim saia para a rua como um dia bonito.
Também nós amamos a vida quando podemos.
Na morada que escolhemos, cultivamos plantas vivazes e recolhemos os mortos.
Sopramos na flauta a cor da distância,
desenhamos um relincho no pó do caminho.
E escrevemos os nossos nomes, pedra-a-pedra. Tu, ó raio, ilumina a nossa noite, ilumina-a um pouco.
Também nós amamos a vida quando podemos.
tradução de Albano Martins

Em memória de
MAHMUD DARWICH
(1942 - 2008)
(RIP)
*
Mahmud Darwich nasceu em 1942 em Birwa, na Galileia, a poucos quilómetros de São João d'Acre. Em 1948, as tropas israelitas obrigam-no a partir com a família para o exílio, do qual regressa clandestinamente, um ano depois. Cinco vezes preso, entre 1961 e 1967, refugia-se, em 1970, no Cairo e, em 1972, em Beirute, no Líbano, que abandona, entretanto, em 1982, aquando da invasão do país pelas forças judaicas. A sua vida repartiu-se nos últimos tempos, entre Amã, na Jordânia, e Ramallah, na Palestina. Considerado um dos mais importantes poetas árabes contemporâneos, é autor duma extensa e complexa obra, atravessada ora por um tom revolucionário e patriótico, ora por um sopro épico e lírico. É também autor de diversas obras em prosa, onde estão reunidos os numerosos artigos publicados na imprensa, designadamente na revista literária al-Karmil, que fundou em Beirute e dirigiu a partir de Ramallah.
MAHMUD DARWICH
(1942 - 2008)
(RIP)
*
Mahmud Darwich nasceu em 1942 em Birwa, na Galileia, a poucos quilómetros de São João d'Acre. Em 1948, as tropas israelitas obrigam-no a partir com a família para o exílio, do qual regressa clandestinamente, um ano depois. Cinco vezes preso, entre 1961 e 1967, refugia-se, em 1970, no Cairo e, em 1972, em Beirute, no Líbano, que abandona, entretanto, em 1982, aquando da invasão do país pelas forças judaicas. A sua vida repartiu-se nos últimos tempos, entre Amã, na Jordânia, e Ramallah, na Palestina. Considerado um dos mais importantes poetas árabes contemporâneos, é autor duma extensa e complexa obra, atravessada ora por um tom revolucionário e patriótico, ora por um sopro épico e lírico. É também autor de diversas obras em prosa, onde estão reunidos os numerosos artigos publicados na imprensa, designadamente na revista literária al-Karmil, que fundou em Beirute e dirigiu a partir de Ramallah.
quarta-feira, agosto 06, 2008
1atemática≠
descreve-se um arco
arqueia-se o corpo,
sacia-se o momento
em tempos de tempo morto
no alpendre do grito
a sombra é um arrastar de profundidade
o olhar fecha-se... à velocidade de uma ferida que recupera
onde o ar seca
-
o teu texto se alonga ao desnecessário
+
chato
+
plano
por
x
triste
mas
÷-te em mil
e perco-te nos molhos da tua alma.
arqueia-se o corpo,
sacia-se o momento
em tempos de tempo morto
no alpendre do grito
a sombra é um arrastar de profundidade
o olhar fecha-se... à velocidade de uma ferida que recupera
onde o ar seca
-
o teu texto se alonga ao desnecessário
+
chato
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plano
por
x
triste
mas
÷-te em mil
e perco-te nos molhos da tua alma.
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